quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ditadura


Coma, coma... Você tem que comer!



 Em 1975 a cantora Karen Carpenter (do grupo Carpenters) desenvolveu anorexia nervosa. Ela era magra e sempre fazia dietas. Na turnê daquele ano teve de cancelar apresentações devido à sua fraqueza. Com o passar dos anos os efeitos causados pela anorexia se tornaram mais fortes. Ela tentou em 1982 tratamento com um psicoterapeuta famoso. Ganhou peso, teve uma relativa melhora, mesmo assim, no ano seguinte, Karen teve uma parada cardíaca. Morreu aos 32 anos. Era bela, rica e famosa. Valeu a pena?





 A modelo Ana Carolina Reston Macan nasceu em Jundiaí de uma família de classe-média. Desde criança sonhou ser modelo. Depois de vencer um concurso no interior de São Paulo chamou a atenção das agência de modelo aos 13 anos. No ano passado, estava com viagem marcada para sessão de fotos em Paris. Por estar muito magra teve alguns trabalhos recusados. As agências sabem mais do que ninguém o custo de ações legais destes tipos de caso. Entretanto, modelos cadavéricas continuam a desfilar nas passarelas mais chiques do mundo da moda. Ana Carolina foi internada com insuficiência renal pesando apenas 40 kg. Rapidamente seu quadro piorou e teve infecção generalizada. Morreu aos 21 anos. Era bela, jovem e com toda uma carreira pela frente. Valeu a pena?

 O anoréxico pena sempre que está gordo e que não é anoréxico. O malandro nunca diz que é malandro e o viciado nunca diz que é viciado! A anorexia pode causar sérios danos ao sistema reprodutor feminino. Mulheres anoréxicas podem ficar sem menstruar. Parece ótimo menstruar sem engravidar, mas no fundo está se comprometendo todo a sua saúde. A morte causada pela anorexia é geralmente causada por um ataque cardíaco, devido à falta de potássio ou sódio. A lista de problemas causados pela anorexia também não é pequena: intestinos e rins danificados, anemia e osteoporose. Vale a pena? Para a Ana Carolina certamente não valeu. Que a sua morte não seja em vão.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fome



Mas o problema não é seu, né?

sábado, 5 de junho de 2010

Serve para qualquer um...

Se não sai de ti a explodir, apesar de tudo, não o faças. A menos que saia sem perguntar do teu coração da tua cabeça da tua boca das tuas entranhas, não o faças. Se tens que estar horas sentado a olhar para um ecrã de computador ou curvado sobre a tua máquina de escrever procurando as palavras, não o faças. Se o fazes por dinheiro ou fama, não o faças. Se o fazes para teres mulheres na tua cama, não o faças. Se tens que te sentar e reescrever uma e outra vez, não o faças. Se dá trabalho só pensar em fazê-lo, não o faças. Se tentas escrever como outros escreveram, não o faças. Se tens que esperar para que saia de ti a gritar, então espera pacientemente. Se nunca sair de ti a gritar, faz outra coisa. Se tens que o ler primeiro à tua mulher ou namorada ou namorado ou pais ou a quem quer que seja, não estás preparado. Não sejas como muitos escritores, não sejas como milhares de pessoas que se consideram escritores, não sejas chato nem aborrecido e pedante, não te consumas com auto-devoção. As bibliotecas de todo o mundo têm bocejado até adormecer com os da tua espécie. Não sejas mais um. Não o faças. A menos que saia da tua alma como um míssil, a menos que o estar parado te leve à loucura ou ao suicídio ou homicídio, não o faças. A menos que o sol dentro de ti te queime as tripas, não o faças. Quando chegar mesmo a altura, e se foste escolhido, vai acontecer por si só e continuará a acontecer até que tu morras ou morra em ti. Não há outra alternativa. E nunca houve.

Charles Bukowski .